Por ALIARA — conteúdo exclusivo
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Já falamos aqui no ALIARA sobre melasma de forma geral — mas, na gravidez, essa condição tem particularidades próprias, que merecem um artigo à parte. Por isso, reunimos a seguir o que estudos de pesquisadores ao redor do mundo mostram sobre a pigmentação em gestantes: causas, efeitos e as opções de tratamento mais seguras. Antes de mais nada, vale reforçar: todos os ativos citados abaixo devem ser usados apenas com prescrição médica. Afinal, o desejo do ALIARA é que toda mamãe fique linda e, acima de tudo, saudável.
O que é o melasma gravídico (cloasma)?
Melasma gravídico e cloasma gravídico são dois nomes para a mesma condição. Hoje, porém, a comunidade dermatológica prefere o termo “melasma”. Ou seja, trata-se de uma hiperpigmentação da pele que forma manchas simétricas, de bordas irregulares mas bem demarcadas, variando do castanho claro ao escuro. Essa condição é bastante comum entre gestantes, principalmente por causa das mudanças hormonais da gravidez, e tende a ficar ainda mais evidente em peles mais escuras.
Por que aparece na gravidez?
O mecanismo por trás do melasma gravídico é hormonal. Durante a gestação, o aumento do estrogênio e da progesterona, somado ao hormônio estimulante de melanócitos (MSH), estimula os melanócitos — as células que produzem melanina — a produzirem pigmento em excesso. Ou seja, é basicamente o mesmo mecanismo da hiperpigmentação da gravidez em geral, só que concentrado no rosto.
Além do rosto, outras áreas do corpo também podem escurecer nesse período, como genitais, aréolas mamárias, axilas, região interna das coxas e região anal. Já na linha média do abdômen, esse escurecimento tem até nome próprio: a linha alba se transforma na chamada linha nigra durante a gravidez — fenômeno mais comum em mulheres com fototipos de pele mais altos.
Quem tem mais chance de desenvolver melasma na gravidez?
Existe um componente genético importante: cerca de metade das pacientes relata histórico familiar de melasma, e já há casos documentados até em gêmeas idênticas. Além disso, tom de pele mais escuro e maior exposição solar também aumentam o risco, e a condição costuma aparecer na segunda metade da gestação.
Estima-se que entre metade e dois terços das gestantes desenvolvam algum grau de melasma. Em um estudo com mulheres latino-americanas, por exemplo, mais de 90% delas apresentaram a condição — e 30% ainda não tinham conseguido clarear a pigmentação um ano depois do parto. Em alguns casos, isso chegou a contribuir, inclusive, para quadros de depressão pós-parto.

Fonte: ( acervo pessoal canva 2026)
O papel do sol e da luz visível
A radiação UV causa dano celular por peroxidação lipídica nas membranas das células, gerando radicais livres que estimulam os melanócitos a produzir mais melanina, e de forma mais rápida. Além do UV, a luz visível também parece ter papel no desencadeamento das manchas — e essa é uma exposição praticamente impossível de evitar, já que estamos cercados de luz em casa, nas ruas e no comércio.
Por isso, protetores solares convencionais, que filtram só UV, podem não ser suficientes. Vale reforçar, ainda, a importância de protetores com proteção também contra luz visível — geralmente os pigmentados, à base de óxido de ferro, são os mais recomendados. Isso vale tanto para peles escuras quanto para peles claras, já que ambas podem desenvolver melasma.
O que evitar na gravidez
Dois ativos merecem destaque como não recomendados nesse período:
- Hidroquinona — é o agente clareador mais potente e considerado padrão-ouro fora da gravidez. No entanto, pode ser absorvida sistemicamente pelo corpo, por isso não é indicada durante a gestação.
- Ácido retinoico / retinoides — de forma geral, retinoides tópicos também não são recomendados na gestação, já que são ativos muito concentrados e podem prejudicar o desenvolvimento do bebê.
O creme de combinação tripla (hidroquinona + tretinoína + corticoide, conhecido como fórmula de Kligman) — considerado o tratamento padrão-ouro para melasma fora da gravidez — também não é recomendado para gestantes ou lactantes. Por isso, o mais seguro é sempre confirmar com o médico quais ativos estão presentes em qualquer cosmético ou tratamento antes de usá-lo. Afinal, nenhuma questão estética vale colocar a própria saúde ou a do bebê em risco.
Ativos considerados seguros na gestação
Com base nas referências consultadas, estes são os ativos mais citados como seguros nesse período — sempre com acompanhamento médico:
- Ácido azelaico — ação despigmentante e anti-inflamatória
- Niacinamida tópica — ajuda no clareamento e na uniformidade da pele
- Vitamina C (ácido ascórbico) — ação antioxidante contra radicais livres
- Ácido glicólico — facilita a penetração de outros ingredientes
- Ácido kójico — inibe a formação do pigmento escuro (melanina)
- Aloe vera lipossomal — hidrata profundamente com tecnologia de alta absorção
- Cúrcuma — ação anti-inflamatória e calmante
Vale reforçar: essa lista serve como panorama geral dos ativos já estudados e de suas reações na pele. Antes de iniciar qualquer um deles, porém, o ideal é a gestante confirmar com o obstetra e/ou dermatologista — assim, o tratamento fica muito mais seguro.
Rotina de proteção diária
Entre todas as fontes consultadas, um ponto é unânime: a fotoproteção diária é a base tanto do tratamento quanto da prevenção. Na prática, isso inclui:
- Protetor solar de amplo espectro e alto FPS (as fontes citam SPF 50+)
- Reaplicação ao longo do dia, se possível a cada duas horas
- Uso de bloqueador físico/mineral (óxido de zinco, dióxido de titânio) combinado ao protetor, sempre que possível — vale confirmar com o médico
- Proteção física complementar, como chapéu, boné e roupas de manga longa, além de evitar exposição solar direta nos horários de pico
Sabemos que, em boa parte do Brasil, o calor torna esses cuidados mais desafiadores. Ainda assim, vale se proteger o máximo possível dentro da rotina do dia a dia.
O melasma desaparece depois do parto?
Em muitos casos, sim: as manchas clareiam naturalmente depois do parto, conforme os hormônios se normalizam. Em uma parcela significativa dos casos, porém, o melasma persiste e precisa de tratamento específico no pós-parto. Assim, é nesse momento que entram opções mais agressivas — como hidroquinona, ácido retinoico, peelings e laser — que não eram indicadas durante a gravidez. Por isso, algumas mulheres seguem precisando de acompanhamento dermatológico por um tempo depois do parto, até a pele voltar a clarear e se manter sem manchas.

Fonte: ( acervo pessoal canva 2026)
Erros comuns
- Achar que só o protetor solar resolve, sem entender que o gatilho principal é hormonal: a fotoproteção previne o agravamento, mas não elimina a causa. Ainda assim, quando o corpo volta ao normal e os hormônios se estabilizam, as manchas podem, sim, clarear naturalmente — embora nem sempre seja assim.
- Tentar clarear as manchas por conta própria, com produtos fortes ou não indicados para gestantes, sem orientação médica. O que funciona para uma pessoa nem sempre funciona (ou é seguro) para outra — por isso, o acompanhamento profissional faz toda a diferença.
- Parar os cuidados assim que o bebê nasce, achando que o melasma vai sumir sozinho. Na prática, a condição muitas vezes precisa de acompanhamento contínuo. Mas não se desespere: com o tratamento adequado e um pouco de tempo, dá para recuperar o controle da pigmentação.
Quais produtos podemos usar na rotina diária
ISDIN Protetor Solar Facial Fusion Water Magic Color FPS 50 – Cor Clara – 50ml / https://meli.la/1egJjB4 ISDIN Protetor Solar Compacto Areia FPS 50 – 10g / https://meli.la/249Gus9 Protetor Solar Bastão FPS 60 Sallve 15g / https://meli.la/1TAKx5Y
Saiba mais em
LYFORD, Willis Hughes. Melasma. Disponível em: <https://emedicine.medscape.com/article/1068640-overview>. Acesso em: 23 ago. 2026.
XIE, Minghui et al. Application of plant extracts cosmetics in the field of anti-aging. Journal of Dermatologic Science and Cosmetic Technology, v. 1, n. 2, p. 100014, 2024.
TECNOLOGIA, Tray. Gel Creme Clareador – Vitamina C + Ácido Kójico + Ácido Glicólico 30g. Disponível em: <https://www.farmasite.com.br/gel-creme-clareador-vitamina-c-acido-kojico-acido-glicolico-30g>. Acesso em: 23 ago. 2026.
LOPES, Cristianne Confessor Castilho. Prevention of Melasma in pregnant women: Aspects of approach in aesthetic treatment. Epidemiology International Journal, v. 6, n. 3, p. 1–9, 2022.
KRIPA AHUJA, M. S.; LIO, Peter. An Integrative Approach to Treating Hyperpigmentation in Pregnancy: Kojic acid, liposomal aloe vera, topical nicotinamide, turmeric, glycolic acid, and ascorbic acid can be safely used to treat hyperpigmentation during pregnancy. Journal of Integrative Dermatology, 2024.
MÉDICA, Ava Clínica. Melasma na gravidez: causas, cuidados e tratamento pós-parto. Disponível em:
<https://avaclinica.com/blog/melasma-gravidez-cuidados-tratamento/>. Acesso em: 23 ago. 2026.

